Notícia

Os riscos e as novas formas de socialização dos adolescentes

Mundo Digital versus Realidade

2 de setembro, 2026
foto de jovens a olharem para o telemóvel e de outros jovens a dançarem na rua
Imagem gerada por IA
Com os avanços constantes do digital novas formas de comunicação foram descobertas. Consequentemente, o modo como os adolescentes se relacionam nas redes começa a evidenciar duas realidades bem distintas. «Nudes» falsos e «Farmar Aura» são as novas tendências. Sabe do que se trata?
A Polícia Judiciária (PJ) confirmou que adolescentes, em Portugal, sobretudo entre os 12 e os 16 anos, têm criado, através das ferramentas de inteligência artificial (IA) disponibilizadas em várias plataformas e aplicações, fotografias de colegas nuas (corpo falso num rosto real) e partilhado em grupos de WhatsApp.
 
Há quem apelide de «brincadeira», mas a lei não vê a situação da mesma forma. A partilha deste tipo de imagens pode configurar um crime de pornografia de menores, punível com pena de prisão até três anos. Como a maioria dos suspeitos é menor de idade, os casos seguem para o Tribunal de Família e Menores, podendo resultar em medidas educativas. Já os suspeitos com mais de 16 anos foram, nalguns casos, constituídos arguidos, existindo mesmo acusações e condenações associadas a situações de perseguição online após o fim de relações amorosas.

A GNR corrobora esta tendência, falando numa «difusão generalizada» de conteúdos gerados por IA nas escolas, alertando, ainda, para crimes conexos como a devassa da vida privada, difamação, coação e extorsão. Segundo a APAV, as vítimas são quase sempre raparigas, cujas fotografias inocentes publicadas nas redes sociais servem de base à manipulação.

Ouvido na Assembleia da República a propósito do projeto de lei do PSD que limita o acesso de menores às redes sociais, o diretor nacional da PJ, Carlos Cabreiro, sublinhou que o WhatsApp tem sido especialmente utilizado para a distribuição destes conteúdos e defendeu que a futura legislação deve também abranger plataformas de mensagens como o Messenger, o Signal ou o Telegram, e não apenas as redes sociais tradicionais. Cabreiro propõe, não obstante, a criação do crime de usurpação de identidade digital.

Na mesma audição, a PSP manifestou preocupação com a eventual migração de jovens para a «dark web» caso o acesso às redes sociais seja mais restrito, recordando que outros países europeus já viveram esse fenómeno, incluindo foram verificados casos de recrutamento de menores por redes criminosas europeias para práticas graves noutros países.

O projeto-Lei, aprovado na generalidade em fevereiro de 2026, prevê a idade mínima de 16 anos para aceder a redes sociais, com possibilidade de acesso a partir dos 13 anos, mediante consentimento parental verificado.

Em contraponto, uma tendência bem mais inofensiva ganha terreno entre os jovens latino-americanos: as chamadas «batalhas de aura».

Competições de carisma feitas de poses, expressões e passos de dança têm ganho repercussão e reúne já, no Chile e no México, com prémios que chegam a ultrapassar os 200 euros.

No fundo, pelo uso de variadas formas de expressão, rapazes e raparigas competem entre si e vence aquele que conseguir mais aplausos e gritos do público.

Segundo os próprios participantes, são batalhas algo semelhante às competições de freestyle ou breakdance que já existiram noutras épocas, e tornam-se numa forma de socialização física e real, que substitui o isolamento em casa por momentos de convívio.

A tendência começa a dar sinais de chegar a Portugal. Nas redes sociais, circula um anúncio, gerado por IA, para o «1.º campeonato de farmar aura de Leiria», marcado para o dia 1 de outubro, no pátio da Universidade de Leiria e Oeste. A associação académica já veio esclarecer que o evento não está autorizado, nem tem qualquer ligação institucional, estando a situação a ser acompanhada.

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